Prefácio do Autor


Ficção. Uma novela em formato de blogLivro. Uma aventura dolorosa sobre a verdade.
Um conto sobre a ilusão e amores.

Amores Místicos pretende seguir o mesmo ritmo narrativo das novelas virtuais, 2008 e Orquídea Fantasma.

Do amor entre homens.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Capítulo I: Dias Contados


Ele se aproximou da varanda e relembrou alguns aspectos de sua vida: talvez estivesse vazia mesmo diante daquelas frutas todas de verão enchendo os pés.

Era o coração vazio. Embora muitas vezes sorrisse para si mesmo, como se do vazio viesse a liberdade. Desistiu do mundo quando conheceu seu último parceiro: um homem velho e solteirão que, morto há três meses, lhe deixara aquela pequena chácara de presente. Além da chácara um punhado de livros obscuros e uma quantia em dinheiro que pudesse, ao menos, ter dois ou três anos de vida simples.
Certamente, depois da morte do velho, ele abrira o primeiro livro e vendo que seu futuro poderia se protelar por mais aqueles dois ou três anos de vida simples, sem ter muito rumo, ou quase nenhum desejo humano, denominara-se, talvez para passar o tempo, de: cobra d`água.

Ouviu alguns passos distantes e virou a cabeça sem muita pressa, viu seu amigo recém-chegado se aproximando, o único amigo que lhe restara. Não estava ali de passagem, vinha porque queria mudar sua vida, recomeçar, quem sabe, encontrar um novo amor naquele lugar nem tão distante e nem tão perto da cidade próxima.

Pensou se deveria contar toda a sua história até ali, mas sua forma de silenciar as curiosidades alheias era passar as mãos no próximo, começando pelos ombros, e dar um aperto dizendo: quanta saudade.

O amigo, de certo, também tinha seus mistérios.

Vendo-o naquela imagem tão serena e ao mesmo tempo forte, como se fosse magnata de alguma coisa muito importante da vida, o amigo não quis fazer barulho e foi justamente naquele momento em que sua cabecinha virou-se que percebeu quanta beleza existia entre dois homens, até então fraternos. Não soube precisar mais o tipo de amizade correspondida de si ao outro, mas aquele homem a sua frente não era mais reconhecido. Havia cinco anos que não se viam.

Tentou se lembrar de quando eram muito amigos, de quando nunca nenhum pensamento lhe viera de brincadeira ou perversão... sorriu meio encabulado de si, quando ele se aproximou e tocou em seus ombros dizendo: quanta saudade.

A chácara estava vazia e naquele tempo, com um verão quase se aproximando, não era tempo algum de se pensar nestas coisas dos objetivos da vida. A vida por si só estava decretada naqueles dias apenas por conta de sua vontade de mudar e do acolhimento fraterno. Naquele tempo não era definitivamente tempo de se contar as horas.

E o que estava por vir, deste dia em que chegara em diante, era uma história verdadeira.

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